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Os Lusiadas
"Os Lusíadas" de Luís Vaz de Camões
Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
Com isto o nobre Gama recebia
Alegremente os Mouros que subiam;
Que levemente um ânimo se fia
De mostras, que tão certas pareciam.
A nau da gente pérfida se enchia,
Deixando a bordo os barcos que traziam.
Alegres vinham todos, porque crêm
Que a presa desejada certa têm.
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Nos de sua companhia se mostrava
De botões douro as mangas vêm tomadas
Não menos guarnecido o Lusitano
Com um redondo emparo alto de seda
Cabaia de Damasco rico e dino
Um batel grande e largo, que toldado
Viam−se em derredor ferver as praias
Mas já o Céu inquieto revolvendo
Respondem−lhe da terra juntamente
Não faltam ali os raios de artifício
Isto disse; e nas águas se escondia
Porém, como a luz crástina chegada
De não sair em terra toda a gente
E com risonha vista e ledo aspeito
Assim dizia; e todos juntamente
E porque é, de vassalos o exercício
E não cuides, ó Rei, que não saísse
Mas tu, e quem mui certo confiamos
Que geração tão dura há hi de gente
Não somos roubadores, que passando
Sublime Rei, a quem do Olimpo puro
Manda mais um, na prática elegante
Recebe o Capitão alegremente
São oferecimentos verdadeiros
O Rei, que já sabia da nobreza
Enche−se toda a praia Melindana
Quando chegava a frota àquela parte
Era no tempo alegre, quando entrava
Louvam do Rei os Mouros a bondade
E como o Gama muito desejasse
Não é o outro que fica tão manhoso
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Tinha uma volta dado o Sol ardente
Mas já as agudas proas apartando
Neste tempo, que as âncoras levavam
Dai velas, disse, dai ao largo vento
Isto Mercúrio disse, e o sono leva
Vai−te ao longo da costa discorrendo
Não tens aqui senão aparelhado
Quando Mercúrio em sonhos lhe aparece
No feio caminho a noite tinha anelado
Dali para Mombaça logo parte
Consigo a Fama leva, por que diga
Já pelo ar o Cileneu voava
Como isto disse, manda o consagrado
De modo, filha minha, que de jeito
Como vereis o mar fervendo aceso
Nunca com Marte instructo e furioso
Vereis a fortaleza sustentar−se
Goa vereis aos Mouros ser tomada
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